Sábado, 3 de Maio de 2008

Morreu um terrorista.

Morreu o Cónego Melo.

Salazarista, foi um dos apoiantes mais influentes do ELP e do MDLP, organizações terroristas que procuraram subverter e aniquilar a liberdade que Abril nos trouxe.

Implicado na organização de ataques terroristas contra pessoas e contra sedes partidárias, escapou à justiça dos homens, mas não escapou ao julgamento político.

A sua morte nem seria aqui referida se não fosse o voto de pesar proposto hoje, na AR, pelo CDS/PP.

Vindo do CDS/PP é um voto natural, mas igualmente um voto-prova-de-vida junto aos sectores mais conservadores e reaccionários da nossa sociedade.

É também o voto-para-propaganda por isso o PPD/PSD não o quis desperdiçar, excepção feita aos deputados Emídio Guerreiro e ao Miguel Macedo.

Já o PS, que sempre fica entalado com estes dilemas, refugiou-se na abstenção, com uns tantos deputados a saírem para não terem de votar e outros a votarem a favor – Matilde Sousa Franco, Ricardo Gonçalves, Rosário Carneiro e Teresa Venda – vá-se lá saber porquê (eu sei que eles são católicos, mas não acho que o seu voto tenha sido norteado única e exclusivamente pela caridade).

O PCP, o BE e o PEV, votaram contra, com a peculiaridade de os deputados do PCP, terem permanecido no Plenário.

Há quem tenha levado a mal esta permanência. Eu não.

Não só porque nunca fui adepto das saídas de leão, com entradas de sendeiro, (nem do vice-versa), como entendo que não valeria a pena abandonar os trabalhos, por 1 minuto, quando já tinham marcado claramente a sua posição.

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