Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.
Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender.
Carlos Drummond de Andrade
Sábado, 10 de Maio de 2008
Sábado, 3 de Maio de 2008
Morreu um terrorista.
Morreu o Cónego Melo.
Salazarista, foi um dos apoiantes mais influentes do ELP e do MDLP, organizações terroristas que procuraram subverter e aniquilar a liberdade que Abril nos trouxe.
Implicado na organização de ataques terroristas contra pessoas e contra sedes partidárias, escapou à justiça dos homens, mas não escapou ao julgamento político.
A sua morte nem seria aqui referida se não fosse o voto de pesar proposto hoje, na AR, pelo CDS/PP.
Vindo do CDS/PP é um voto natural, mas igualmente um voto-prova-de-vida junto aos sectores mais conservadores e reaccionários da nossa sociedade.
É também o voto-para-propaganda por isso o PPD/PSD não o quis desperdiçar, excepção feita aos deputados Emídio Guerreiro e ao Miguel Macedo.
Já o PS, que sempre fica entalado com estes dilemas, refugiou-se na abstenção, com uns tantos deputados a saírem para não terem de votar e outros a votarem a favor – Matilde Sousa Franco, Ricardo Gonçalves, Rosário Carneiro e Teresa Venda – vá-se lá saber porquê (eu sei que eles são católicos, mas não acho que o seu voto tenha sido norteado única e exclusivamente pela caridade).
O PCP, o BE e o PEV, votaram contra, com a peculiaridade de os deputados do PCP, terem permanecido no Plenário.
Há quem tenha levado a mal esta permanência. Eu não.
Não só porque nunca fui adepto das saídas de leão, com entradas de sendeiro, (nem do vice-versa), como entendo que não valeria a pena abandonar os trabalhos, por 1 minuto, quando já tinham marcado claramente a sua posição.
Salazarista, foi um dos apoiantes mais influentes do ELP e do MDLP, organizações terroristas que procuraram subverter e aniquilar a liberdade que Abril nos trouxe.
Implicado na organização de ataques terroristas contra pessoas e contra sedes partidárias, escapou à justiça dos homens, mas não escapou ao julgamento político.
A sua morte nem seria aqui referida se não fosse o voto de pesar proposto hoje, na AR, pelo CDS/PP.
Vindo do CDS/PP é um voto natural, mas igualmente um voto-prova-de-vida junto aos sectores mais conservadores e reaccionários da nossa sociedade.
É também o voto-para-propaganda por isso o PPD/PSD não o quis desperdiçar, excepção feita aos deputados Emídio Guerreiro e ao Miguel Macedo.
Já o PS, que sempre fica entalado com estes dilemas, refugiou-se na abstenção, com uns tantos deputados a saírem para não terem de votar e outros a votarem a favor – Matilde Sousa Franco, Ricardo Gonçalves, Rosário Carneiro e Teresa Venda – vá-se lá saber porquê (eu sei que eles são católicos, mas não acho que o seu voto tenha sido norteado única e exclusivamente pela caridade).
O PCP, o BE e o PEV, votaram contra, com a peculiaridade de os deputados do PCP, terem permanecido no Plenário.
Há quem tenha levado a mal esta permanência. Eu não.
Não só porque nunca fui adepto das saídas de leão, com entradas de sendeiro, (nem do vice-versa), como entendo que não valeria a pena abandonar os trabalhos, por 1 minuto, quando já tinham marcado claramente a sua posição.
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
1.º de Maio 2008

Eu sei, que este cartaz deve ser o mais feio e despropositado que algum dia a CGTP deu à luz ... mas perdoa-se a falta de gosto e de criatividade de quem o aprovou pela bondade das intenções.
Para mim o 1.º de Maio é com a CGTP-Intersindical.
Por muitas e boas razões.
Uma delas me basta.
A CGTP foi criada para defender os direitos dos trabalhadores no tempo do fascismo - 1971.
Não foi o resultado de uma criação-proveta, em Outubro de 1978, dos partidos-ditos-democráticos - PS, PPD/PSD e CDS/PP - para dividir e controlar o movimento sindical.
Como estou em Lisboa vou, às 14:00, para a concentração no Martim Moniz, desfilo até à Alameda D. Afonso Henriques e lá vou escutar as intervenções dos dirigentes sindicais.
Quem estiver por outras bandas poderá consultar o programa nacional em:
Para mim o 1.º de Maio é com a CGTP-Intersindical.
Por muitas e boas razões.
Uma delas me basta.
A CGTP foi criada para defender os direitos dos trabalhadores no tempo do fascismo - 1971.
Não foi o resultado de uma criação-proveta, em Outubro de 1978, dos partidos-ditos-democráticos - PS, PPD/PSD e CDS/PP - para dividir e controlar o movimento sindical.
Como estou em Lisboa vou, às 14:00, para a concentração no Martim Moniz, desfilo até à Alameda D. Afonso Henriques e lá vou escutar as intervenções dos dirigentes sindicais.
Quem estiver por outras bandas poderá consultar o programa nacional em:
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